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BOMBEIROS PROFISSIONAIS
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Bombeiros manifestam-se pela aposentação
Em: 2019-05-22
Os bombeiros profissionais manifestaram-se por uma aposentação digna.

Foi com cartazes na mão e apitos ruidosos que mais de duzentos bombeiros participaram na manifestação no dia 22 de maio, organizada pela Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e pelo Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais. O protesto iniciou-se no Largo Vitorino Damásio e estendeu-se até à Assembleia da República.

A acompanhar a manifestação, bombeiros em cadeira de rodas, um caixão e um padre tentavam chamar a atenção da população para o que estava em causa: o decreto-lei aprovado a 9 de maio, na generalidade e que, segundo os bombeiros, comete uma "injustiça" em relação à aposentação.

Os bombeiros não aceitam a proposta do governo que prevê a reforma depois dos 60 anos, porque consideram que não conseguem garantir a sua segurança e o socorro adequado.

Fernando Curto, presidente da ANBP, reconhece que, nas decisões do governo houve uma nota positiva e outra negativa.

"Criou o Estatuto (profissional) de bombeiros depois de 17 anos, o que é positivo; mas no que diz respeito à aposentação, nós não concordamos. A situação de um bombeiro com 50, 55 e 60 anos a prestar socorro na primeira intervenção, é insustentável, e como tal, entendemos deve manter aos 50 anos ou, ao aumentar para os 55 anos, era importante que houvesse uma pré-reforma. Estou a falar nos bombeiros de linha, da primeira intervenção", esclareceu.

Apesar da contestação dizer respeito à aposentação, foi notória a adesão de bombeiros de todas as faixas etárias.

Ricardo Barreto, bombeiro no Regimento Sapadores Bombeiros de Lisboa, considera que "quem está na 1ª intervenção vai sentir as lesões inerentes a esta profissão. Por isso não entendemos porque querem prolongar a nossa efetividade ao nível da 1ª intervenção".

Também Nino Taveira, do RSB, lembra que os bombeiros "aos 60 anos não temos a frescura e desenvoltura física para transportarmos todo o equipamento".

"Estamos a falar de uma profissão de alto risco, que se quer de desgaste rápido", reforçou Rúben Reis, também bombeiro do RSB, e coordenador do Secretariado Regional de Lisboa de ANBP/SNBP.

O protesto dos bombeiros profissionais do Continente contou com a solidariedade dos bombeiros profissionais dos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

José Feliciano, bombeiro profissional dos Bombeiros Voluntários de Madalena do Pico, juntou-se a esta manifestação, tal como outros bombeiros profissionais vindos de outras associações humanitárias de bombeiros voluntários dos Açores.

"É injusto que as forças de segurança tenham uma idade de reforma inferior a nós", lamenta, defendendo que a idade da reforma para os bombeiros deve equiparar-se à das forças de segurança. Questionado sobre a sua presença neste protesto, José Feliciano admitiu que tudo o que for aprovado no continente, nesta matéria, deverá ser aplicado nos Açores.

Os Bombeiros Sapadores do Funchal e os municipais de Santa Cruz estiveram também nesta manifestação. Apesar de reconhecerem que o Estatuto Profissional os beneficiou em relação à passagem de municipais a sapadores- com reflexo não apenas na designação, mas ao nível de carreira e de índice salarial-, não concordam com a idade da reforma proposta pelo governo.

O protesto terminou na Assembleia da República, perto de uma hora depois de ter começado, com a entrega de um documento por parte da direção nacional de ANBP/SNBP na Assembleia da República.



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